Esgoto contaminado polui Rio São Lourenço

O Rio São Lourenço foi mais uma vez palco no dia 22 de fevereiro de um desastre ambiental, onde um despejo irregular contaminou o rio com resíduos tóxicos. O descaso teve início às 9h06 e terminou às 9h52. Casos como este são constantemente provocados por empresas e indústrias, que, com pretensão de economizar com a destinação correta de seus esgotos, acabam por despejar esses líquidos contaminados na rede de esgotamento doméstico.

O descarte do final do último mês apontou a presença de elevada concentração de carga orgânica, mensurada pela DQO (Demanda Química de Oxigênio) em 950 mg/L, quando o normal para esgoto sanitário seria próximo de 400 mg/L. Esse material acaba por inibir a capacidade natural de oxigenação da água, e ocasiona a morte de peixes e outras espécies que povoam o ecossistema do rio.

É preocupante e triste assistir tamanho descaso com o meio ambiente e verificar que a frequência desses atos irresponsáveis ocorrem constantemente. No momento que cai no rio, esses esgotos industriais e empresariais contaminam intempestivamente toda a água com grande descarga de metais pesados, óleos, derivados de petróleo, solventes e outros elementos nocivos que criam uma mousse tóxica (espuma) na superfície do rio.

 

Esgoto doméstico

Matão é uma cidade que está à frente quando a questão é saneamento básico. Faz parte de um seleto grupo de cidades do País que tem 100% do esgoto doméstico tratado. Ressalto aqui, esgoto doméstico. Tratamento de efluente industrial é outra coisa. Compete a cada empresa e não ao poder público. É um investimento que precisa ser incorporado às contas dessa empresa e não pode, de forma alguma, tentar ser empurrado para a população.

O município conta hoje com uma das melhores empresas de tratamento de esgoto sanitário da América do Sul. Uma vitória alcançada por poucas cidades brasileiras. A Companhia Matonense de Saneamento – CMS – registra índice de eficiência de remoção de carga orgânica de mais de 98%, o que significa que o esgoto da cidade que passa por tratamento é devolvido ao São Lourenço como água limpa, devidamente adequada para manter os ecossistemas do rio. Para alcançar tamanho grau de excelência, o tratamento é feito com microorganismos vivos que se alimentam de compostos orgânicos encontrados no esgoto sanitário, minimizando impactos ambientais. Motivo de grande orgulho para a cidade.

Nem mesmo a tecnologia de ponta da CMS é capaz de frear o desastre ambiental que algumas indústrias e empresas têm causado a Matão e aos municípios pelos quais o rio segue seu curso.

Procurado pela redação do JC Matão, o secretário de Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos de Matão Marcos Nascimento informou que todas as ocorrências de descarte de esgoto atípico no Rio São Lourenço tem sido objeto de boletim de ocorrência e comunicação imediata pela CMS à Cetesb que é o órgão responsável pela fiscalização e liberação de Licença de Operação para as empresas que geram efluentes.  O Secretário informou ainda que vem realizando periodicamente testes com corantes próximo à empresas na tentativa de identificar os poluidores, bem como tem reunido-se com vários segmentos na tentativa de conscientizar os empresários a colaborarem com o devido cuidado ao meio ambiente.


Fonte : http://jcmatao.com.br
Data da Notícia : 09/03/2018

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